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Rubens Nóbrega
Caos na segurança
Quando a gente pensa que chegou ao fundo do poço, aí
vem o Ministério Público e mostra que é preciso
cavar mais uma coisinha, porque ainda não deu para mostrar
toda a calamidade que é o aparelho de segurança do
Estado.
Na Paraíba onde estão matando por brincadeira, inclusive
criança de 11 anos que poderia estar brincando na rua, mesmo
assim parece pouco quando um bandido coloca aviso tipo “Não
perturbe” na porta da agência dos Correios que está
assaltando.
Na mesma Paraíba, o Ministério Público dá
uma batida nas 22 delegacias de Polícia de João Pessoa
e constata, entre outras mazelas, que na metade delas sequer tem
arma possível de ser usada na defesa de quem toma conta.
Os problemas nas delegacias da Capital foram levantados entre janeiro
e março deste ano pela Central de Acompanhamento de Inquéritos
Policiais (Caimp) e divulgados ontem pelos coordenadores da unidade.
Segundo os promotores de Justiça Lúcio Mendes Cavalcante
e Antônio Barroso Neto, coordenadores da Caimp, boa parte
ou a maioria das delegacias não tem viaturas, munição,
algemas e coletes à prova de bala.
IMUNDÍCIE
Faltam até livros obrigatórios para o registro de
ocorrências e de tombo, revela o Relatório de Inspeção
da Caimp, que descobriu ainda o quanto as delegacias e Central de
Polícia são imundas e focos de doenças.
Tanto que os promotores ficaram surpresos e curiosos quando encontraram
os carcereiros trabalhando de luvas. “Quando perguntamos a
razão, responderam que as celas eram infectadas de germes”,
contou Antônio Barroso.
Pior: segundo os carcereiros disseram aos promotores, muitas vezes
se misturam nas celas presos tuberculosos, aidéticos e portadores
de outras doenças infecto-contagiosas. As luvas, supõem,
evitam contaminação.
Pois bem, informações desse nível e gênero,
além de reveladores de tremendo descaso com a segurança
pública, derrubam todo o esforço para mascarar a realidade
e convencer que pode resolver uma questão dessa magnitude
a golpes de propaganda.
Nessa linha, algumas horas depois da entrevista dos promotores,
o governo reforçou policiamento nas ruas e chamou a imprensa
para mostrar que tinha em estoque as armas e equipamentos em falta
nas delegacias.
Patético.
BAIXA ESTIMA
Outro dado preocupante, na avaliação dos promotores,
é a elevada baixa estima dos servidores que trabalham nas
delegacias e na Central de Polícia de João Pessoa.
Mais de 70 por cento acreditam no seguinte: a percepção
que a sociedade tem do trabalho policial é a pior possível.
É conclusão natural depois de tabulados os seguintes
dados:
- 43,55% dos agentes, carcereiros e delegados acham que a sociedade
tem o policial como corrupto e inconfiável;
- 16,13% acham que a imagem é de ineficiência;
- 9,68%, que é de truculência e arbitrariedade;
- 4,8% de mau atendimento e 1,61%, de falta de credibilidade.
Na entrevista que concedeu para divulgar o relatório, o promotor
Antônio Barroso (foto) disse que alguns policiais relataram
que já foram vítimas de preconceito por serem policiais
e outros sequer revelam a profissão.
Os coordenadores da Caimp entrevistaram 62 policiais, sendo 32 delegados
e 30 escrivães.
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