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JOÃO
PESSOA/PB – 16 DE JANEIRO DE 2012
GOVERNO
DILMA CORTA À METADE VERBAS DA SEGURANÇA
O
Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania
(Pronasci) sofreu no primeiro ano do governo Dilma Rousseff o maior
corte de recursos desde a sua criação, no fim de 2007.
Dos R$ 2,094 bilhões autorizados para 2011 só a metade
foi paga nos diversos projetos previstos pelo Ministério
da Justiça, contrariando o discurso de campanha de ampliar
a colaboração com estados e municípios nessa
área. A tesourada foi de R$ 1,036 bilhão, impactando
as ações Brasil afora.
Nos últimos quatro anos, a execução
orçamentária média do programa foi de 63%.
Com os cortes do ano passado, o valor deixado no cofre alcança
R$ 2,3 bilhões. Ações alardeadas nos palanques
eleitorais em 2010 não mereceram nenhum centavo no ano de
estreia de Dilma, a exemplo da construção de postos
de polícia comunitária com R$ 350 milhões previstos.
Para a modernização de estabelecimentos penais, foram
prometidos outros R$ 20 milhões, mas nada foi pago. Os dados
são do Sistema Integrado de Administração Financeira
do governo federal (Siafi).
Quase 40% do valor desembolsado no ano passado
(R$ 1,058 bilhão) foram de restos a pagar, ou seja, compromissos
firmados em exercícios anteriores.
O ajuste fiscal do governo Dilma também
atingiu uma das principais políticas do Pronasci, a Bolsa
Formação, que paga auxílio a policiais e outros
profissionais de Segurança matriculados em cursos de qualificação.
O governo nunca gastou menos que 86% do autorizado para esse fim.
Em 2011, só 49% da verba prometida foram pagos. Mesmo assim,
a Bolsa Formação ainda responde por mais da metade
do valor aplicado no Pronasci (R$ 572 milhões).
Discursos diferentes
para a mesma área
Para o professor Gláucio Soares, do Instituto
de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado
do Rio da Janeiro (Uerj), os dados evidenciam a falta de comprometimento
federal com a Segurança Pública.
— A prioridade expressa nos gastos não
corresponde à expressa no discurso e nas pesquisas de opinião,
que apontam a Segurança Pública como área fundamental
— afirma o professor.
Ele acrescenta que tem sido mais fácil
cortar verbas da Segurança Pública do que, por exemplo,
das áreas militares.
Procurado, o Ministério da Justiça
informou, em nota, que, considerando o ajuste fiscal anunciado no
início de 2011, o limite orçamentário do Pronasci
era, na prática, de R$ 775 milhões, sendo que, desse
total, R$ 771 milhões foram executados.
Governo promete
aprimorar projeto
O ministério explicou que a Política
Nacional de Segurança Pública, que inclui o Pronasci,
está em fase de aprimoramento da gestão. Um dos objetivos
seria a criação de mais mecanismos para avaliá-la
que não só a execução orçamentária.
Um anteprojeto de lei enviado ao Congresso prevê a criação
do Sistema Nacional de Informações de Segurança
Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp).
“O sistema vai suprir a ausência de
um mecanismo oficial de estatística capaz de compilar e fornecer
dados e informações precisos sobre a situação
da Segurança Pública no país. Os estados irão
assinar pactuação com a União e, se não
fornecerem dados, terão suspensos os repasses de verbas federais”,
diz trecho da nota do Ministério da Justiça - MJ.
Fonte:
JORNAL O GLOBO
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