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JOÃO
PESSOA/PB – 14 DE JANEIRO DE 2012
O
BRASIL É O 20º PAÍS MAIS VIOLENTO DO MUNDO
Diferentemente
do que foi noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo (em 7 de outubro
de 2011), que colocou o Brasil em 26º lugar dentre os países
mais homicidas do mundo, levantamentos e análises realizados
pelo Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG)
apontaram que na verdade o Brasil fechou o ano de 2009 como o 20º
país mais homicida do mundo, matando violentamente 26,9 pessoas
a cada 100 mil habitantes.
Se o resultado já é exorbitante em
âmbitos nacionais, quando verificamos os estados da Federação,
isoladamente, os números são ainda mais dramáticos.
Com uma taxa de 59,3 mortes violentas a cada 100
mil habitantes (igualando-se ao 3º país que mais mata
no mundo, Costa do Marfim, 56,9), em 2009, Alagoas liderou como
o estado mais homicida do país. Posição que
cultivava desde 2008, quando apresentava uma taxa de 60,3 homicídios
a cada 100 mil habitantes.
Tais constatações se baseiam nos
números divulgados pelo Datasus (Ministério da Saúde)
relativamente a esses períodos. Assim sendo, na década
1999/2009, o Alagoas sofreu um retrocesso de onze posições,
visto que em 1999 possuía uma taxa três vezes menor,
de 20,3 mortes a cada 100 mil habitantes, ocupando a 12ª posição
no país.
Os estados que se colocaram respectivamente na
2ª, 3ª e 4ª posição foram o Espírito
Santo, com uma taxa de 57,2 mortes violentas a cada 100 mil habitantes,
Pernambuco, com uma taxa de 44,9 mortes e o Pará, com 40,3
mortes a cada 100 mil habitantes.
Verifica-se, assim, que figuram nas primeiras colocações
estados de três regiões distintas (norte, nordeste
e sudeste) e que, por mais que se argumente que os homicídios
atingem mais uma região do país do que outra, cada
uma delas possui um estado mais vitimado pela violência, seja
por suas peculiaridades na desigualdade, seja por menores investimentos
governamentais.
O Brasil nasceu (em 1822) dividindo sua população
em duas partes: os incluídos e os excluídos (afrodescendentes,
índios, mestiços etc.). Segregação territorial
e discriminação econômica, racial e étnica,
fundada em desigualdades brutais (econômicas, sociais, políticas,
existenciais, morais e emocionais). Várias caveiras foram
plantadas no solo brasileiro (em razão dos seus “consensos
sociais inarticulados” — Foucault). Enquanto não
forem desenterradas, sempre ficará a sensação
(ou a realidade) de que o inferno é aqui mesmo.
Sobre os autores
Mariana Cury Bunduky é advogada e pesquisadora
do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
Luiz Flávio Gomes é jurista e cientista
criminal. Fundador da Rede de Ensino LFG, diretor-presidente do
Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi Promotor
de Justiça (1980 a 1983), juiz (1983 a 1998) e advogado (1999
a 2001). Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter.
FONTE:
Luiz Flávio Gomes
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