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JOÃO
PESSOA/PB – 07 DE JANEIRO DE 2012
VEJA:
GOVERNO DA PARAÍBA COMPRA EQUIPAMENTOS DE ÚLTIMA GERAÇÃO,
MAS NÃO UTILIZA POR FALTA DE TREINAMENTO
Com
o título 'Dinheiro, sangue e caos' - a Revista VEJA - voltou
a citar o caos administrativo no Governo da Paraíba. Desta
vez o foco é a insegurança que cresce de maneira galopante
no Nordeste. A publicação aborda a greve dos policiais
do Ceará, mas cita a Paraíba como exemplo da fragilidade
da política de segurança pública.
Nesse sentindo, a Revista revela que a Paraíba
é um dos Estados que paga os piores salários do Brasil
aos seus policiais.
VEJA denuncia ainda que o Governo da Paraíba
adquiriu equipamentos de análise pericial de última
geração, mas não consegue usá-los, já
que não há policiais com treinamento adequado para
operá-los.
Leia a reportagem
da VEJA desta semana:
Dinheiro, sangue e caos
Por um dia, a quinta maior capital do país
virou uma cidade fantasma. Na terça-feira passada, as mais
movimentadas avenidas de Fortaleza ficaram desertas. Lojas de todos
os bairros fecharam as portas. Turistas foram obrigados a abandonar
as praias e se refugiar nos hotéis.
O medo tomou conta dos moradores - e não
sem motivo. Cenas de um linchamento de um suspeito de roubo foram
parar na internet e, na televisão e nas rádios, multiplicaram-se
as notícias de assaltos e arrastões cometidos por
bandidos que se aproveitaram da ausência de policiais nas
ruas.
Do dia 29 de dezembro até a noite da última
terça-feira, os policiais militares de Fortaleza ficaram
aquartelados e deixaram a já conflagrada capital cearense
à mercê dos criminosos. Ao darem curso a uma greve
ilegal, aproximaram-se daqueles que deveriam combater. Adotaram
o figurino e o comportamento dos marginais. Com o rosto coberto
por capuz para não serem reconhecidos, e punidos, eles ameaçaram
quem queria trabalhar, depredaram viaturas e ignoraram a ordem judicial
de retornar às funções. Na sequência
da greve da PM, os policiais civis da capital também cruzaram
os braços. As delegacias ficaram paradas e até o Instituto
Médico-Legal teve suas atividades comprometidas.
Em 2011, outros quatro estados nordestinos - Alagoas,
Maranhão, Paraíba e Piauí - padeceram com greves
de policiais. Em comum, todos eles compartilham o fato de ser mal
pagos, mal treinados e mal equipados. A bandidagem tem tirado o
máximo proveito da situação. Na última
década, o número de homicídios dobrou na região.
Atualmente, um em cada três assassinatos
cometidos no Brasil é registrado entre os nordestinos. Quando
comparadas as taxas de homicídio, o Nordeste só perde
para a Região Norte, onde em 2010 a taxa chegou a 37,4 assassinatos
para cada 100000 habitantes. Das cinquenta cidades onde mais se
mata, 37 ficam no Norte ou no Nordeste.
Trata-se de um fenômeno iniciado na última
década cuja raiz, afirmam especialistas, está na migração
da criminalidade. "Além dos bandidos locais, quadrilhas
organizadas de outros estados migraram sobretudo para o Nordeste,
atraídas pelo aumento do poder aquisitivo da região
e para fugir do endurecimento das polícias, principalmente
a de São Paulo", afirma Carlos Alberto da Costa Gomes,
coordenador do Observatório de Segurança Pública
da Universidade Salvador.
A fragilidade das forças policiais nordestinas
é flagrante. No Ceará, onde o governo gastou 64 milhões
de reais para comprar 428 viaturas modelo Toyota Hilux SW4 (cada
uma custou ao Erário 150000 reais e resultará num
custo de manutenção de 28000 reais anuais), o tempo
de formação dos policiais do programa chamado Ronda
do Quarteirão foi reduzido de seis para três meses.
Na Paraíba, o governo adquiriu equipamentos
de análise pericial de última geração,
mas não consegue usá-los, já que não
há policiais com treinamento adequado para operá-los.
"Grande parte dos administradores estaduais dessas regiões
teve gestões desastrosas em relação à
segurança", diz o coronel José Vicente, ex-secretário
nacional de Segurança Pública. Para o especialista,
isso produz reflexos não apenas entre criminosos. "Quando
o cidadão percebe que a impunidade reina, os conflitos resolvidos
a bala tendem a aumentar drasticamente".
Enquanto as políticas públicas fracassam,
certas atividades privadas prosperam. O empresário Antonio
Ricardo de Souza, por exemplo, dono de uma empresa de segurança,
garante 70% de seu faturamento com fornecimento de cães de
guarda para condomínios, lojas, empresas e até uma
funerária de Fortaleza. Por um guarda acompanhado de um animal
treinado, Souza cobra 4700 reais por mês. Seu negócio
cresce a taxas anuais de 11%. "Os cães têm ganhado
do mercado de seguranças armados por causa do medo que as
pessoas têm de tiroteios", diz.
O Nordeste apresentou o maior aumento do produto
interno bruto entre as regiões brasileiras na última
década e exibiu os melhores indicadores de redução
da pobreza. Mas a explosão da criminalidade na região
mostra que ele não se preparou para enfrentar esse crescimento.
Com reportagem de Júlia de Medeiros
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