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JOÃO
PESSOA/PB – 09 DE JANEIRO DE 2012
NO
CEARÁ, GREVE DOS POLICIAIS CIVIS PARALISA ATENDIMENTO EM
DELEGACIAS E IML
Governo do estado estuda contratar escrivães
temporários; Exército cuida do patrimônio
RIO
- Com o fim da greve dos policiais militares, a paralisação
dos policiais civis do Ceará, iniciada na quarta-feira, impede
o registro dos boletins de ocorrência nas delegacias do estado.
Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do
Ceará (Sinpoci), a greve afetou 100% das delegacias do Ceará.
Em Fortaleza, os policiais estão acampados
na Praça dos Voluntários, em frente à sede
da Superintendência da Polícia Civil. Para o pátio
da sede, estão sendo levadas as viaturas com os pneus esvaziados.
Segundo relatos, inspetores e escrivães
estão deixando a chave das celas com o delegado de plantão,
e já não é possível iniciar ou dar prosseguimento
a qualquer investigação. Na capital, 35 DPs, 16 delegacias
especializadas e 9 metropolitanas aderiram ao movimento, segundo
o sindicato. Homens da Força Nacional de Segurança
e do Exército estão tomando conta das delegacias,
evitando, por exemplo, a fuga de presos e salvaguardando o patrimônio
público, mas eles não estão fazendo boletins
ou atuando na parte burocrática.
Segundo o capitão da 10ª Região
Militar, Francisco Antônio Perez, a Delegacia Geral e representantes
do governo do Ceará estudam a contratação de
escrivães temporários para a realização
do trabalho burocrático. Segundo ele, o Exército não
tem amparo legal para assumir a função de policial
civil. Se adotadas, as medidas devem assegurar a prestação
de serviços essenciais à população,
como registro de Boletim de Ocorrência e Guias Cadavéricas.
Entre as possibilidades, está o empréstimo de pessoal
da Polícia Federal.
Greve de 2011 foi considerada ilegal
De acordo com Inês Romero, presidente do
Sinpoci, não houve acordo entre o governo estadual e os policiais,
que reivindicam reajuste para que o salário seja equivalente
a 60% dos vencimentos de um delegado:
- Tivemos uma reunião na quarta-feira,
não chegamos um a acordo, mas ficou decidido que a pauta
de reivindicações seria levada para o procurador-geral
do Estado, Fernando Oliveira. Hoje (quinta-feira), a paralisação
cresceu e 100% das delegacias estão paradas. O Instituto
Médico-Legal (IML) se comprometeu a aderir ao movimento,
mas queremos parar também a perícia e o Instituto
de Identificação.
Os policias civis, que iniciaram a paralisação
na quarta-feira, quando policiais militares e bombeiros encerraram
a greve após acordo com o governo estadual, já haviam
parado em julho de 2011. Em dezembro, a greve foi considerada ilegal.
Os policias estão reivindicando a não
punição de quem aderiu ao movimento grevista de julho
de 2011, a devolução do dinheiro descontado de 199
policiais civis em dezembro de 2011 e salário equivalente
a 60% do subsídio de um delegado.
- O policial do Ceará tem o salário
mais baixo do Brasil. Um delegado em início de carreira ganha
R$ 7.500, e o policial em início de carreira recebe, em média,
R$ 2.125 - diz Inês.
FONTE:
Redação - Jornal o Globo
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