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JOÃO
PESSOA/PB – 29 DE DEZEMBRO DE 2011
PB
DEVE TERMINAR O ANO COM MAIS DE 1.600 ASSASSINATOS, AFIRMA SECRETÁRIO
APENAS 40% DOS CRIMES SÃO SOLUCIONADOS; MAIS DA METADE NÃO
TEM A AUTORIA IDENTIFICADA
O
ano de 2011 deve terminar com um saldo violento: mais de 1.600 paraibanos
assassinados, segundo projeção da Secretaria de Estado
da Segurança e Defesa Social (Seds). Em 2010 foram 1.563
mortes. Do total dos homicídios ocorridos na Paraíba,
apenas 40% são solucionados, ou seja, mais da metade dos
crimes não têm a autoria identificada, o que significa
que, este ano, aproximadamente, 960 assassinos estão soltos
e impunes. Enquanto isso, as famílias das vítimas
choram e lamentam o primeiro Natal e o primeiro Réveillon
sem seus parentes.
Segundo avaliação do secretário
Cláudio Lima, o percentual de crimes resolvidos na Paraíba
está acima do registrado no Brasil, cujo índice, segundo
ele, fica entre 5% e 7%. Em 2010, em João Pessoa, 516 assassinatos
não foram solucionados, de acordo com dados da Delegacia
de Homicídios da Capital.
De acordo com Cláudio Lima, a projeção
da Seds é que o número de homicídios ocorridos
este ano tenha um acréscimo de aproximadamente 6% em relação
ao ano passado. “De 2009 para 2010 houve um aumento de 24,9%
no número de homicídios e, se nossas expectativas
forem confirmadas, deverá haver um aumento de apenas 6% de
homicídios se compararmos 2010 e 2011, ou seja, a curva de
crescimento deve cair”, afirmou.
“A meta é diminuir o número
de homicídios cada vez mais e isto só será
possível se houver um trabalho em conjunto e investimento
em segurança. A falta de integração entre Polícia
e Justiça atrapalha, afinal, combater homicídios não
é fácil. Então, uma atuação sistêmica
entre Ministério Público, Justiça e Polícia
melhoraria bastante a atuação destes órgãos
e, consequentemente, o Estado teria uma segurança cada vez
melhor”, afirmou o secretário.
“Precisamos de investimento” O secretário
Cláudio Lima também afirmou que o percentual de 40%
de homicídios solucionados no Estado é pouco. “O
número ainda é pouco, por isso precisamos de investimento
em segurança. A média nacional é menor ainda,
sendo resolvidos entre 5% e 7% dos homicídios, números
que já foram a realidade da Paraíba e que conseguimos
mudar.
Mesmo assim, 40% é pouco e a intenção
é que, daqui a três ou quatro anos, o índice
possa ultrapassar os 80% dos casos de homicídios na Paraíba”,
disse. O delegado Marcos Paulo Vilela, da Delegacia de Homicídios,
contabilizou o percentual de homicídios resolvidos em João
Pessoa. “Neste ano, cerca de 50% dos inquéritos foram
concluídos, ou seja, as autorias destes crimes foram encontradas.
Somente neste mês, cumprimos 17 mandatos de prisão”,
afirmou.
“Naturalmente, os crimes de homicídio
são mais complexos, já que a vítima não
existe mais e, assim, todo o inquérito se torna mais dificultoso.
Além disso, as testemunhas, quando há testemunhas,
se recusam a falar, por causa do medo de represálias.
Então, tudo isso dificulta a conclusão
dos inquéritos”, explicou o delegado. Até a
meia noite do dia 19 deste mês, haviam ocorrido 24 homicídios
na capital.
CASO REBECA -Um caso que teve bastante repercussão
este ano foi o da estudante Rebeca Cristina, que foi encontrada
morta há cinco meses em Jacarapé e, até agora,
o crime não foi solucionado. “O nosso Natal acabou.
Eu tomo remédio controlado e não consigo dormir direito.
Não é nada fácil para mim, que ajudei a criar
Rebecca e ela era uma menina boa, bem criada. A única coisa
agora é esperar em Deus e na Justiça, pois só
em saber quem é o culpado por ter cometido tamanha atrocidade
já aliviaria a dor da família”, declarou a avó
de Rebeca, Teresa Gomes Alves.
MORCEGUINHO -Em janeiro, o professor de jiu jitsu
Rufino Gomes de Araújo Neto, conhecido como “Morceguinho”,
foi morto a tiros, no bairro do Bessa, em João Pessoa. O
pai da vítima, Roberto Farias de Araújo, relatou que
este foi o primeiro Natal sem o filho. “Ninguém saiu
de casa. Todos estão bastante tristes, nós sentimos
muita falta dele, é duro. A dor é muito grande”,
afirmou. Os acusados Danilo Cavalcante Vieira, Eduardo Cavalcanti
Ramos de Carvalho e Jocelino Ramos de Carvalho, acusados do crime,
estão foragidos.
MARX -Em agosto, o jovem Marx Nunes Xavier, de
25 anos, foi assassinado na Praia do Jacaré, porque defendeu
um rapaz homossexual das agressões de Aluízio Henrique
Silva, principal suspeito de ter cometido o crime. O pai de Marx,
Pedro Pessoa Xavier, afirmou que o sentimento da família
é de impunidade. “A família está com
muita saudade e este primeiro Natal sem ele não foi nada
fácil. Agora, só nos restam a oração
e a grande ferida que ficamos com a decisão do juiz em permitir
que o acusado respondesse em liberdade”, declarou. Em setembro,
Aluízio Henrique Silva foi assassinado, em Mangabeira.
FORÇA NACIONAL ELUCIDA APENAS 1,4% DOS CASOS
ENCALHADOS -Na Paraíba, apenas 1,4% dos inquéritos
policiais que estavam nas mãos da Força Nacional de
Segurança Pública (FNSP) tiveram os autores dos crimes
identificados e indiciados, segundo estimativa da promotora do Ministério
Público Estadual (MPE), Ana Maria França, que coordena
e acompanha os processos. De um total de 498 distribuídos
inicialmente entre quatro equipes, cada uma composta por um delegado
e três agentes, somente cerca de 40 tiveram retorno ao MPE,
sendo somente sete solucionados até ontem. Os demais tiveram
o período de investigações renovado.
A Força Nacional chegou à Paraíba
no início de setembro, após solicitação
do governo estadual ao Ministério da Justiça, com
a finalidade de concluir os cerca de 1.500 processos abertos desde
2007 e que estavam sem solução. Como os inquéritos
não foram concluídos, o ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo, renovou, por mais 120 dias, a permanência
da FNSP no Estado, através de portaria publicada no Diário
Oficial da União, na última segunda-feira. As investigações
têm o apoio logístico e supervisão da Secretaria
Estadual de Segurança e Defesa Social (Seds).
Segundo a promotora Ana Maria França, o
baixo índice de resolutividade desses casos se deve a uma
série de razões. “Um dos principais motivos
é o tempo. Desde a época em que os crimes ocorrem
até agora, muitas coisas já se perderam. Além
disso, a gente tem percebido que a população não
quer ajudar. Sempre dizem que não estavam presentes, ou que
não ouviram nada. É aquela velha história do
medo, da lei do silêncio. Além disso, entre sete e
dez autores dos homicídios já morreram, por isso as
equipes têm que refazer as estratégias”, disse.
Retorno à PB -Outro fator, segundo apontou
Ana Maria França, é que, com o fim do contrato de
permanência, no final de novembro, duas das quatro equipes
da Força Nacional deixaram o Estado. “A Força
Nacional é enviada aos Estados que fizeram solicitação
ao Ministério da Justiça. Como, na Paraíba,
o contrato terminou no final de novembro e a renovação
só foi publicada na última segunda-feira, duas das
equipes se deslocaram para outras unidades da federação,
o que é bastante comum nessa época do ano, já
que os governos pedem reforços”, explicou.
Porém, a promotora afirmou que, a partir
da primeira semana de janeiro, os casos deverão ser resolvidos
com maior celeridade, embora não haja nenhuma previsão
para sua conclusão. “Com a portaria publicada no Diário
Oficial, as equipes deverão retornar ao Estado.
Porém, outro ponto que vai contribuir é
que os policiais já estão ambientados. Entre eles,
não há nenhum paraibano, então ficava difícil
para eles se deslocarem para determinados lugares, e isso atrasava
um pouco as investigações. Essa realidade hoje é
diferente”, disse.
Todos os processos deverão passar pelo Ministério
Público Estadual e tomarão três caminhos: a
conclusão, com indiciamento de autoria do responsável
pelo crime; um pedido de renovação das investigações,
que deve ser aprovado pelo MPE; e o arquivamento dos processos.
Porém, segundo a promotora, os casos só
terminam sem solução em último caso. “Quando
as investigações terminam dessa maneira, avaliamos
o que deu errado e o que pode ser feito dentro de um novo prazo”,
afirmou.
FONTE:
Redação - Correio da Paraiba
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Veja
a situação de algumas delegacias na Paraíba |