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JOÃO
PESSOA/PB – 19 DE DEZEMBRO DE 2011
A
SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA, SIMPLESMENTE NÃO
FUNCIONA. É INEFICIENTE, ARCAICA, PARTIDÁRIA E ESTÁ
PRESTES A FALIR
O
editorial do jornal O Estado de São Paulo do dia 26/11/2011,
com o título “Criminalidade Ainda em Alta”, narra,
com muita propriedade, os problemas e as deficiências da Segurança
Pública em todo o Brasil. Fala do enorme gasto neste segmento,
e, principalmente, como o dinheiro destinado a esta área
é mal gerenciado e não produz resultados satisfatórios.
Na opinião do Sindicato dos Delegados de
Polícia do Estado de São Paulo, o modelo de segurança
pública adotado pelo Brasil, simplesmente não funciona.
É ineficiente, arcaico, partidário e está prestes
a falir.
E isso tem vários motivos:
Um deles é o pacto federativo, ou seja,
cada governo de estado trata a “sua polícia”
do jeito que bem entende, isso quando a coisa não é
personalizada pelo próprio governador, inclusive para fins
políticos.
A consequencia disso, é que as polícias
civil e militar ficam, em determinados cargos e patentes, à
serviço de uma diretriz política, prejudicando, assim,
os objetivos do combate à criminalidade. Quem paga, e muito
caro, é o cidadão.
Em razão desse modelo de segurança,
não existe compartilhamento de informações
básicas entre a polícia de um estado e as dos demais.
Na verdade não existe comunicação e troca de
informações eficientes entre as polícias civil
e militar do mesmo estado. Não raro, tal ocorre também
no âmbito das próprias corporações.
Com um modelo desses, não há investimento
que resolva o problema.
Em nossa avaliação, a causa está
na constituição de 1988. Os legisladores erraram ao
permitir que a segurança pública ficasse quase que
exclusivamente, sob a responsabilidade das unidades federativas.
Ao contrário de outros países, no
Brasil não existe uma uniformidade básica, que permita
ao cidadão identificar policiais e viaturas em qualquer parte
do país. Não há padronização
na formação e atuação policial etc.
Viaturas e fardas são completamente diferentes nas 27 unidades
federativas, ou seja, cada poder executivo estadual faz o que bem
entende da sua polícia.
Os relatórios, denominados anuários,
elaborados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
demonstram, claramente, que um determinado estado consegue obter
melhores resultados que o seu vizinho no combate a mesma espécie
de delito. E mais, se limitarmos o campo da pesquisa para a unidade
federativa, verificaremos que esta falha também acontece,
e isto se deve a razões de administração interna,
na distribuição da riqueza, no direcionamento da força
policial para regiões que interessam ao governo etc. Repete-se
a mesma situação em âmbito municipal, onde notamos
que a criminalidade possui índices astronomicamente diferentes
entre dois bairros vizinhos.
O editorial reflete apenas parte da realidade no
contexto da segurança pública brasileira e suas deficiências,
mas não cita a principal causa do crescimento da criminalidade,
que é a falta de investimento sério na área
social. Assim, a polícia atua, quase que exclusivamente,
em razão da omissão da administração
pública, ou seja, do Governo.
Tome-se como um exemplo, o ensino básico.
Um grande esforço e investimentos derrubaram
a taxa de crianças fora da escola de 12% em 1990 para 3%
em 2010.
O mesmo esforço deveria ser feito para que
os jovens permanecessem na escola e ingressassem em uma universidade.
Certamente a taxa de criminalidade, entre pessoas
de 17 a 24 anos, despencaria.
Em regra, a violência aumenta porque o Estado-Administração
falha e deixa frestas.
Outro fator que contribui fortemente para o crescimento
da criminalidade é a corrupção, esta, deve
ser combatida de forma rigorosa e constante. Sabemos que este é
o ponto mais difícil, pois, a impunidade que reina dentro
de certos segmentos do setor público é flagrante.
Isto decorre, principalmente, em razão das chamadas prerrogativas
de cargo ou função, inseridas no texto constitucional
para dar garantias legais a certas instituições, protegendo-as
das ações políticas e ditatoriais pelas quais
havíamos atravessado até 1.988. Hoje, não existe
mais qualquer razão para a manutenção deste
privilégio, que só tem acarretado impunidade e enormes
prejuízos financeiros ao país.
Necessário se faz que o Estado Brasileiro,
reveja, urgentemente, o modelo de segurança pública
adotado. Porém, nada resolverá o problema da crescente
onda de criminalidade sem políticas sociais efetivas, com
investimentos maciços em educação e saúde.
Caso contrário, continuaremos a enxugar o chão com
a torneira aberta. Enfim, precisamos combater as causas e não
somente os seus efeitos.
FONTE:
Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO
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