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JOÃO
PESSOA/PB – 12 DE DEZEMBRO DE 2011
FORA
DA VERDADE A MENTIRA SE ESTABELECE...
O
Governo de Ricardo Vieira Coutinho, que já vem dando errado
de forma surpreendente, porque até seus adversários
mais renitentes tinham certo receio de que pudesse dar certo, tem
cometido tantos desacertos que nem mesmo seus defensores mais ardorosos
acham hoje que ele está no caminho correto.
Mas o pior de tudo não é o que o
povo de um modo geral percebe da evolução do governo,
para não dizer da involução governamental.
É o que o governo acha de si mesmo, na medida em que a administração
tem mecanismos seguros de aferição de seu prestígio
ou desprestígio perante a população do Estado.
Ninguém saberá mais sobre a gestão pública
do que os próprios gestores, pois têm recursos financeiros
ilimitados para contratar pesquisas científicas a fim de
medir seu conceito perante os administrados.
Seria muito interessante se ocorresse aqui como
acontece nos Estados Unidos, por exemplo, onde as pesquisas de opinião
mais influentes são custeadas pelos veículos de comunicação
ou organizações classistas, em que é rigorosamente
garantido ao povo o direito de saber como a sociedade vê os
governos constituídos e como os eleitos respondem concretamente
a seus eleitores e também a seus opositores.
Uma sociedade consciente e ciente de seus direitos
e responsabilidade não aceita ser enganada pela via da informação
falsa ou tendenciosa, porque seria um grave descompromisso com a
democracia e com as leis que a sustentam.
QUANTO CUSTA UM GOVERNO VULNERÁVEL?
Ainda que os balizadores da opinião pública sejam,
nas democracias, o conhecimento e a informação extraídos
de fontes sérias e confiáveis, porque o povo se sentiria
fortemente agredido diante de informações inverídicas
ou suspeitas, nada impede que os governos façam pesquisas
para consumo interno, não só para saber como estão
sendo vistos pela população, mas como deverão
reorientar as políticas públicas governamentais que
não estão dando bons resultados. Ou para ampliar as
ações que oferecem satisfação ao povo.
No Brasil, especialmente em rincões interioranos,
a pesquisa externa é usada pelo próprio governo com
o objetivo de encobrir as deficiências e desgastes apontados
pelas pesquisas internas, como se o povo, além de não
ter direito a um bom governo, também não tivesse direito
a saber da verdade sobre os problemas governamentais. É um
duplo e acintoso descalabro democrático.
Na Paraíba de hoje, o governo pelo menos
bom que o povo espera e a ele tem direito não seria aquele
que o próprio gestor acha que deve mostrar através
da informação viciada e comprada. Será aquele
que o povo identificar através de seu próprio tato,
quando lhe faltar meio confiável de obter a verdade.
Quando se estabelece a enganação,
porque há dinheiro público para comprar informações
tendenciosas e inverazes, a verdade não tem a menor valia,
exatamente porque é ela que deve ser obscurecida para que
a mentira triunfe.
Isso será ainda mais grave quando o governo
estiver de cócoras e em estado de necessidade, pois o custo
de salvar o que está comprometido pelos desacertos pode ser
bem mais do que todas as operações previstas para
dar certo. Mas o povo, por meio de seus próprios sensores
e da desconfiança, saberá separar uma coisa da outra.
Embora nunca, provavelmente, saiba quanto custou a mentira forjada
para substituir a verdade.
FONTE:
Redação - wscom
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