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JOÃO
PESSOA/PB – 05 DE DEZEMBRO DE 2011
BRAÇOS
CRUZADOS: POLICIAIS EM GREVE VÃO PEDIR DINHEIRO NAS RUAS
Depois de terem seus salários cortados,
os inspetores e escrivães decidiram buscar ajuda financeira
da população
Quase
cinco meses após a deflagração de uma greve,
a categoria dos policiais civis do Estado do Ceará decidiu
ir às ruas de Fortaleza pedir dinheiro à população.
A decisão foi tomada pelos grevistas após o corte
de salários por parte do governo. Inspetores e escrivães
afirmam que, com os descontos no contracheque, não terão
como honrar seus compromissos nem mesmo arcar com as despesas com
seus familiares.
"Esses policiais que tiveram o corte (de salários)
não podem sair prejudicados. Como eles vão comer,
pagar as contas e sustentar as suas famílias?", indagou,
ontem, Inês Romero, presidente do Sindicato dos Policiais
Civis do Ceará (Sinpoci). Pelo menos, 199 servidores tiveram
um desconto médio de 60 por cento em seus salários
do mês de novembro. Os cortes foram feitos pela Secretaria
de Planejamento e Gestão (Seplag), responsável pela
gestão financeira estadual.
Nas ruas
Segundo o Sinpoci, a intenção do movimento agora
é percorrer ruas, praias e praças da Capital e de
outras cidades do Estado, pedindo dinheiro à população.
Inês Romero informa que a entidade não sabe ainda quais
os critérios usados pelo governo para estabelecer o corte
salarial nem a escolha dos policiais que teriam sido punidos com
a redução salarial. "Não sabemos quais
os critérios que foram levados em consideração,
já que não houve processo administrativo", explica
a sindicalista.
Greve
O movimento dos policiais nas ruas deve ocorrer somente na próxima
semana. "O sindicato está preparando o material para
a divulgação", disse Inês.
A paralisação das atividades dos policiais civis
cearenses teve início no dia 2 de julho. Os servidores prepararam
uma lista de reivindicações que apontavam a necessidade
de concurso para a contratação de novos agentes, a
retirada de dezenas de presos das delegacias e, ainda, melhoria
salarial. No dia 5 de julho, o juiz de Direito, Paulo de Tarso Nogueira
Pires, da Sexta Vara da Fazenda Pública, julgou liminarmente
o pedido de ilegalidade da greve e considerou a paralisação
ilegal. A greve, foi suspensa pela categoria, mas retomada em 15
de outubro. Dez dias depois, o Tribunal de Justiça do Ceará
anulou a decisão do juiz. O TJ ainda não julgou a
legalidade.
Desconto
60 por cento foi o corte nos salários de 199 policiais civis,
entre escrivães e inspetores. A decisão do governo
foi recebida com indignação pela categoria.
FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA
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