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JOÃO
PESSOA/PB - 26 DE JULHO DE 2010
CENTRAIS
SINDICAIS SE UNEM POR MELHORES SALÁRIOS
No semestre em que se concentram as negociações
das categorias mais organizadas do País, trabalhadores reforçam
campanha
No ano
em que a economia brasileira deverá crescer mais de 7%, as
centrais sindicais resolveram deixar as diferenças de lado
para juntar forças na tentativa de arrancar aumentos reais
de salários mais polpudos nas negociações salariais
do segundo semestre. A estratégia prevê ainda uma maior
mobilização na luta por direitos como a redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, bandeira de quase 20
anos das centrais.É na segunda metade do ano que se concentram
as negociações das categorias mais organizadas do
País, como metalúrgicos, petroleiros, bancários,
eletricitários e químicos. As centrais querem unificar
a campanha salarial dessas categorias.
As reivindicações
de aumento real de salários dessas categorias variam de 5%
a 11%, além da reposição das perdas com inflação.
Em 2009, o aumento ficou, em média, 2% acima da inflação.
Sindicatos filiados a uma mesma central já fazem campanhas
unificadas. A união das centrais, porém, é
inédito na história do movimento sindical brasileiro.
A ideia inicial do movimento é buscar a unidade das centrais
na campanha, porém sem unificar toda a pauta de reivindicações
nem a data-base das categorias. No entanto, traria um índice
de referência para as reivindicações de aumento
real dos salários. Uma das ideias em discussão prevê
que o índice seja equivalente ao crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB), estimado em 7,3% este ano.
Além
disso, a pauta das diversas categorias incluiria também alguns
pontos considerados bandeiras do movimento sindical. Além
da redução da jornada para 40 horas, os sindicalistas
discutem, entre outras coisas, a inclusão de mecanismos semelhantes
à Convenção 158 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que causa arrepios no mundo empresarial.
Ela estabelece que nenhuma empresa não pode demitir sem apresentar
justificativa.
"A
unidade dos trabalhadores sempre favorece a obtenção
de conquistas", frisa o presidente em exercício da Força
Sindical, Miguel Torres. "A ação conjunta das
centrais é um instrumento de pressão muito grande."
As conquistas
obtidas pelas categorias mais importantes servem de base para os
acordos coletivos de negociações de categorias menos
organizadas. "As empresas, mesmo sendo concorrentes, discutem
estratégias conjuntas, antes de negociar com os sindicatos
de trabalhadores", diz o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. "Vamos fazer o mesmo
entre as várias centrais."
A movimentação
das centrais parece não assustar o empresariado. Pelo menos
na ótica diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos
da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), Paulo Francini, que vê com "naturalidade"
a mobilização dos trabalhadores. "Tem períodos
em que a posição negocial dos empresários é
muito mais forte, porque atrás dos trabalhadores está
o fantasma do desemprego", observa o executivo. "De repente,
como agora, os fantasminhas mudam de lado e vão para trás
dos empresários."
Para
Francini, o fato de a economia brasileira viver um bom momento,
com crescimento previsto de mais de 7%, favorece a mobilização
dos trabalhadores. "É natural, mas não quer dizer
isso que deva ser concedido ou não deva ser concedido, apenas
é um jogo de forças que sempre existe numa negociação."
PARA LEMBRAR
Salário
ganha da inflação há seis anos
Nos últimos seis anos, a maioria das negociações
salariais em todo o País resultaram em aumentos acima da
inflação. Nem mesmo a queda de 0,2% do Produto Interno
Bruto (PIB) em 2009 impediu que a maior parte das categorias conseguisse
aumento real de salários.
Levantamento
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) mostrou que 79,9% das categorias conquistaram aumento salarial
acima da inflação no ano passado. Outros 13% conseguiram
a reposição da inflação.
Além
da mobilização dos sindicatos, técnicos do
Dieese dizem que parte dos bons resultados nas negociações
foram conseguidos graças às medidas anticíclicas
adotadas pelo governo federal para incentivar o consumo doméstico,
como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) dos automóveis e eletrodomésticos.
Fonte:
O Estado de S.Paulo
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