JORNAL
FLIT PARALISANTE
SEGUNDO
PESQUISA DA FGV JUÍZES, POLÍTICOS, PADRES E POLICIAIS
NÃO MERECEM CONFIANÇA
Credibilidade
da Justiça só ganha do Congresso
Índice
de confiança no Judiciário fica em 33% dos entrevistados
contra 28% no Legislativo e 21% nos partidos
Fausto
Macedo – O Estado de S.Paulo
Quando
o tema é confiança nas instituições
públicas, a Justiça vai mal e só ganha do Congresso
e dos partidos políticos. A informação sobre
o elevado grau de descrédito da toga consta da mais recente
investigação do ICJBrasil (Índice de Confiança
na Justiça), iniciativa da Escola de Direito da FGV para
verificar resultados das relações entre o cidadão
e o Judiciário só 33% dos entrevistados dizem confiar
nos tribunais, 28% no Legislativo e 21% nas agremiações
partidárias.
A apuração,
realizada no segundo trimestre, mostra que a população
confia bem mais em outras sete instituições citadas,
até na polícia corporação frequentemente
alvo de denúncias por corrupção e arbítrio.
As Forças Armadas lideram a tabela dos que estão bem
acreditados, com 63% de aprovação. Depois, seguem
grandes empresas (54%), governo federal (43%), emissoras de TV (42%),
imprensa escrita (41%), polícia (38%), Igreja Católica
(34%).
“Essa
é a grande novidade do trabalho, a comparação
do patamar de confiança no Judiciário e outras instituições,
públicas e privadas”, diz Luciana Gross Cunha, professora
da Direito GV e coordenadora do ICJ. “É uma questão
que chama muito a atenção nesse momento por causa
do resultado. A Justiça só ganha do Congresso e dos
partidos.”
O radar
ICJBrasil ouviu 1.550 pessoas de diversas faixas de renda e de escolaridade
e crava que a avaliação da Justiça segue negativa
porque ela não desgruda de características anacrônicas:
lenta, cara e pouco acessível.
A credibilidade
do Poder nos quesitos honestidade, imparcialidade e competência
para solucionar os casos que são de sua alçada também
está em baixa. Ainda assim, a maioria dos entrevistados respondeu
que não hesitaria em procurar o Judiciário para solucionar
eventuais conflitos.
Quase
metade dos entrevistados já acionou a Justiça. Questões
trabalhistas (28%)e de família (24%)lideram razões
para busca do Judiciário. Outros motivos são relativos
a direitos do consumidor (19%), causas previdenciárias (8%),
criminais (6%), trânsito (3%).
O ICJBrasil
adotou quatro categorias para a consulta: muito satisfeito, pouco
satisfeito, muito insatisfeito e pouco insatisfeito.
Os muito
insatisfeitos e aqueles que se declararam pouco satisfeitos somam
49%. Quanto menor a renda, menor o contingente de entrevistados
que foram à Justiça 19% dos que disseram já
ter batido à porta dos tribunais recebe até dois mínimos;
e 57%, mais de 4 e até 12 mínimos.
A maioria
dos entrevistados já consultou advogado 75%, dos quais 34%
acessaram a defensoria pública. “Ou seja, o Judiciário
não é tão desconhecido assim”, destaca
Luciana Gross.
No item
Judiciário e resolução de conflitos trabalhistas,
apesar de depositar pouca confiança na Justiça a população
ainda prefere decisão do juiz a acordo por mediador ou conciliador.
Outro
lado. “Essa conta não é só nossa”,
reagiu Mozart Valadares, presidente da Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB). “Não quero dizer
que não haja casos de juízes que deixam a desejar,
mas existem outros fatores que provocam o desgaste da imagem do
Judiciário”, diz, citando que tem ministro do Superior
Tribunal de Justiça com 13 mil processos. “Em Pernambuco,
juízes e promotores respondem simultaneamente por até
três comarcas distantes 100 quilômetros uma da outra.”
Para
Valadares, “tudo o que é lentidão” jogam
na conta do Judiciário. “Na ação penal
o titular é o Ministério Público”, anota.
“Há verdades nessa pesquisa (ICJBrasil), mas também
há injustiças porque a população precisa
enxergar onde é que está o verdadeiro gargalo”,
alerta.
Em São
Paulo, os dados mostram grande produtividade dos juízes,
reconhecida pelo Banco Mundial, segundo Paulo Dimas De Bellis Mascaretti,
presidente da Associação Paulista de Magistrados.
“Mas mesmo assim não conseguimos passar uma imagem
positiva”, afirma ele.
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