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JOÃO
PESSOA/PB - 04 DE MARÇO DE 2010
Pressionada,
Câmara aprova piso nacional para policiais
Acesso ao Congresso foi bloqueado e deputados reclamaram da intimidação;
proposta seguirá para o Senado
Policiais
militares fizeram uma manifestação ocupando a Esplanada
dos Ministérios
BRASÍLIA
- Com forte pressão de policiais durante todo o dia, com
deputados reclamando de intimidação e com bloqueio
de acesso ao prédio do Congresso, a Câmara aprovou
na noite desta terça-feira, 2, o texto principal da proposta
de mudança na Constituição que fixa um piso
nacional provisório para os policiais civis, militares e
para integrantes do corpo de bombeiros, no valor de R$ 3.500 para
soldados e de R$ 7.000 para oficiais. Os deputados ainda votarão
itens do projeto, o que permitirá mudanças no texto
aprovado ontem.
O placar
registrou 393 votos favoráveis e duas abstenções.
Após a conclusão da votação em dois
turnos na Câmara, a proposta seguirá para o Senado.
Cerca de 120 policiais militares acompanharam a sessão nas
galerias da Câmara. Além do valor provisório,
o projeto estabelece que uma nova lei federal fixará um piso
definitivo, no prazo de seis meses. Junto com a nova lei, será
criado um fundo a ser bancado pela União para complementar
o pagamento dos salários, atualmente de responsabilidade
dos Estados.
Os deputados
não souberam especificar o impacto que o piso provocará
nos orçamentos, por causa das diferenças nas tabelas
salariais. De acordo com assessores técnicos da Câmara,
que acompanharam a tramitação da proposta, a remuneração
média da Polícia Militar (PM) da Bahia, por exemplo,
é de R$ 1.412,32, no caso do soldado, e de coronel, R$ 5.856,84.
No caso
de São Paulo, a média salarial é maior: R$
2.015,40 para o primeiro soldado e de R$ 7.979,82, para coronel.
Policiais têm reivindicado a equiparação salarial
com os seus equivalentes do Distrito Federal, cuja remuneração
é a mais alta. Lá, um primeiro soldado recebe R$ 4.129,73
e o coronel, R$ 15.355,85.
Pressão
A votação
foi polêmica. Diversos deputados questionaram a constitucionalidade
da proposta e a pressão dos policiais. "Não podemos
votar sitiados. Desde as 3 horas (15 horas de ontem) estão
fechando a entrada principal, impedindo que os carros circulem.
Não podemos ter esse constrangimento. Há uma barreira
militar na porta", protestou no plenário o deputado
Paulo Delgado (PT-MG).
Pela
manhã, policiais militares fizeram uma manifestação
ocupando as seis pistas da Esplanada dos Ministérios no sentido
do Congresso impedindo a circulação de carros. À
tarde, bloquearam a passagem na pista de acesso ao Congresso. Antes
da reclamação de Delgado, o líder do governo,
Cândido Vaccarezza (PT-SP), havia registrado no plenário
a intimidação que alguns deputados estavam sofrendo
pelos policiais.
Negociação
O governo
e o PT tentaram evitar a votação na noite de ontem,
com a proposta de uma negociação no texto do projeto.
Porém, prevaleceu o texto apresentado pelo líder do
PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). O senador foi até a
reunião de líderes da Câmara com o presidente
da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), para entregar o texto que os deputados
aprovaram ontem. Temer, ex-secretário de Segurança
Pública de São Paulo, mostrou durante todo o dia a
disposição de votar o texto.
Os deputados
José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Arnaldo Madeira (PSDB-SP)
estavam entre os parlamentares que questionaram o projeto. Segundo
eles, a proposta acabará sendo discutida no Supremo Tribunal
Federal (STF) porque contém uma série de inconstitucionalidades.
Eles citaram, como exemplo, a criação, sem a devida
competência para isso, de despesas para a União. Além
disso, afirmaram que o piso poderá superar o limite estadual
dos gastos com pessoal, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF).
Denise
Madueño, da Agência Estado
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