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Sábado,
27 de Fevereiro de 2010
Documentos
do período da ditadura militar são descobertos em
Santos
OAB
investiga irregularidades
Uma pequena
sala com janelas fechadas no segundo andar do Palácio da
Polícia, antiga Cadeia de Santos, no litoral paulista, guardava
documentos importantes da ditadura militar. Com estantes lotadas
de papéis amarelados, ninguém fazia a ideia do que
estava ali arquivado.
"Esta
é uma sala em que todo mundo entrava, era um arquivo onde
guardamos os jornais. Abrimos as janelas pela primeira vez na segunda-feira
(22)", disse à Agência Brasil o diretor do Departamento
de Polícia Judiciária do Interior (Deinter SP), Waldomiro
Bueno Filho.
Hoje
(26), pela primeira vez, os técnicos do Arquivo Público
do Estado tiveram acesso aos documentos. Acompanhados pela Comissão
de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional
São Paulo (OAB SP), os técnicos ficaram impressionados
com o que encontraram. "Esta foto de Lamarca é inédita",
afirmou a diretora-técnica do Fundo Deops (Departamento Estadual
de Ordem Pública e Política Social de São Paulo),
Rafaela Leuchtenberger.
Ela que
trabalha com materiais relativos ao período militar disse
nunca ter visto aquela imagem do capitão Carlos Lamarca,
militar que entrou na luta armada contra a ditadura. "Não
há dúvidas sobre a relevância destes documentos
mesmo sem ter a precisão exata de quanto e o que são",
disse o diretor do Departamento de Preservação e Difusão
do Acervo do Estado, Lauro Ávila Pereira.
Segundo
Pereira, o primeiro passo a partir da descoberta é encaminhar
os documentos para o Arquivo Público do Estado de São
Paulo. "Este material integra o patrimônio documental
do estado de São Paulo. Para fazer este recolhimento, a Secretaria
da Casa Civil deve encaminhar um termo de recolhimento para a Secretaria
de Segurança Pública, a fim de formalizar o reconhecimento
hoje mesmo", disse.
Para
Pereira, é importante conhecer o material encontrado em Santos.
"Precisamos entender a lógica do arquivo deste material.
Temos que conhecer este material. Só é possível
compreender o acervo de forma geral. Só vendo poderemos dizer
o que é".
Além
da foto inédita de Lamarca, há também um dossiê,
com um carimbo “Confidencial e Secreto”, sobre Carlos
Marighella, fundador da Ação de Libertação
Nacional. As letras batidas pela máquina de escrever afirmam
que Marighella "estaria preparando uma série de atentados
contra unidades militares de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Estes atentados constituiriam uma primeira etapa de um plano subversivo,
que prosseguiria com ações espetaculares de sequestros
de autoridades militares e de sabotagem contra grandes indústrias
paulistas".
De acordo
com diretor do Departamento de Preservação e Difusão
do Acervo do Estado, todo material encontrado no Palácio
da Polícia, em Santos, deve ser levado ainda hoje para o
Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Da Agência Brasil
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