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Domingo,
4 de Julho de 2010 - 06h00
Estresse infantil
A infância tem sido ameaçada por um novo vilão:
o estresse
A
infância hoje não é mais tão inocente
como antigamente. As crianças mantêm jornadas de até
dez horas diárias, distribuídas entre escola e atividades
complementares... Confinadas em apartamentos, transformam o computador
e a internet em janelas para o mundo, vivendo uma realidade virtual.
Diante disso, pais, educadores e médicos estão se
voltando para o conforto emocional das crianças. E quando
o assunto é estresse, é preciso ter em mente que ele
nem sempre é prejudicial, pois todos precisamos de algum
estresse para viver.
Especialistas dizem que a hora do parto é a primeira experiência
da criança com o estresse, seja o parto normal ou cesariana.
Primeiro, ocorre o eustresse, modalidade positiva que nos leva a
decidir entre agir ou fugir. Depois, se houver risco de sofrimento
fetal, surge o distresse, e o nascimento passa a ser considerado
traumático.
No comecinho de vida, o estilo de vida e a harmonia entre pais e
familiares mais próximos do bebê são cruciais.
O bebê irá aprender observando e imitando os pais;
ele capta sinais de nervosismo, de irritação e de
medo. Daí a importância de uma criança nascer
e crescer em um ambiente emocional estável.
A mãe é fundamental ao desenvolvimento do bebê,
não só pela proteção e cuidados que
representa, mas pela influência que exerce na vida da criança.
Logo nos primeiros dias de vida do bebê, sua atitude em relação
a horários de mamadas, por exemplo, já determina em
grande parte como será a personalidade da criança
no futuro. Se for o primeiro filho, certamente ela não agüentará
ouvi-lo chorar por muito tempo e, prontamente, o amamentará,
mesmo que tenha acabado de fazê-lo. Isso ocorrendo repetidas
vezes, o bebê se acostumará ao “pronto atendimento”
e, com o passar dos anos, se tornará uma criança “mimada”,
que não consegue lidar com contrariedades. Quando atingir
a idade escolar, essa criança terá problemas, pois
lhe faltarão recursos para interagir com o novo meio. Na
escola, ela terá de dividir atenção e brinquedos,
mas como não aprendeu a fazer isso, se sentirá contrariada
e brigará. Crianças sadias também brigam, mas
brigas muito freqüentes ou isolamento por parte das outras
crianças pode ser sinal de que algo não vai bem.
Em crianças e adolescentes, os principais fatores de estresse
são: perdas familiares importantes, mudança de cidade
ou de escola, brigas constantes entre os pais ou a separação
destes, violência doméstica, exigência exagerada
de desempenho escolar, social ou esportivo, nascimento de irmãos,
doenças e hospitalização.
Durante os anos de crescimento, o referencial de vida de crianças
e adolescentes são seus pais e familiares. Eles são
verdadeiros espelhos para seus filhos, e a atitude que tiverem perante
a vida repercutirá nas crenças e paradigmas que nortearão
a vida futura de seus filhos. Se foram muito protetores, certamente
eliminarão os desafios da vida de seus filhos e, como resultado,
estes não saberão lidar com as situações
a que forem expostos.
A adolescência é o momento da formação
da identidade pessoal, das grandes descobertas, e o estresse é
iminente: estresse hormonal, estresse social e estresse familiar.
Na adolescência, rebeldia e impulsividade são desejáveis,
mas os pais precisam saber lidar com isso, dando aos filhos, além
do exemplo, incentivos, para que confiem em si mesmos, e apoio,
para lidar com as conseqüências de suas ações.
Sem exemplo, sem autoconfiança e sem apoio a adolescência
pode ser num verdadeiro período de trevas e o adolescente
pode tornar-se um adulto infeliz, improdutivo, sem perspectivas
nem identidade própria.
Lair
Ribeiro
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