|
UM
PARTIDO POLÍTICO CHAMADO POLÍCIA MILITAR DO ESTADO
DE SÃO PAULO
A Polícia Militar de São Paulo deixou de se dedicar
exclusivamente ao serviço de policiamento e segurança
pública já faz um bom tempo
Tem se
dedicado a outras atividades “mais importantes”. Transformou-se
em partido político. Ocupa mais de 50 cargos na prefeitura
da capital (a promoção de um Coronel da ativa é
o compromisso com o governo de se tornar servidor da administração
pública municipal quando aposentado); elege parlamentares;
influencia no processo legislativo; organiza solenidades, desfiles,
comemorações de seus aniversários e, para finalizar,
realiza atividades de terceiros, fora de foco, através de
convênios com a prefeitura, ou seja, funções
que poderiam ser praticadas por agentes municipais. Isso, sem falar
no desperdício de efetivo que usa para manter um programa
de televisão para se auto-promover, ou no imenso efetivo
que dispõe para atuar em portarias de órgãos
públicos importantes, segurança pessoal de autoridades,
como o caso do prefeito Kassab (que tem até um coronel em
seu estafe), ou dos presidentes do TJ, ALESP e da Câmara Municipal
(que também conta com um tenente, um capitão e um
major para protegê-lo).
Com tanta preocupação em fazer mais política
partidária do que segurança pública, o que
podemos esperar da Polícia Militar nos dias de hoje?
Os excessos de chamadas feitas pelo número “190”
e o aumento constante dos índices de criminalidade são
a prova de que o serviço preventivo não funciona.
Pior, os números de criminalidade estão aquém
do real. Nem todos se prestam a fazer registros de ocorrências
sobre roubos de dinheiro, relógio, objetos fungíveis
etc. A grande maioria faz Boletim de Ocorrência apenas de
subtração de documentos, talões de cheques
e veículos porque são obrigados, senão, nem
isso faria. Mesmo assim, contando apenas com os índices fajutos,
a situação se mostra calamitosa
É preciso repensar o papel desta instituição
e exercer maior controle sobre autonomia de suas atividades. A maior
atuação da PM ante a existência de um delito
consiste em chegar depois do ocorrido, preencher papeletas e transportar
as partes para a delegacia de polícia. Um cenário
comum em nosso cotidiano: Quando alguém é vitimado
pela violência, já com os criminosos bem longe, telefona-se
para 190; Esperado alguns minutos, chega uma quantidade enorme de
viaturas, e os policias aos montes ficam circulando no entorno do
palco, uns com pranchetas, outros falando ao rádio da viatura,
outros colhendo informações sobre os acontecimentos.
Poucos saem no encalço dos criminosos. Para capturar o criminoso,
lançam as informações na rede de rádio
e aguardam a sorte de topar com os seus autores. Para finalizar,
oferecem a viatura para transportar as vítimas à delegacia,
onde gentilmente ajudam os ofendidos a narrarem a história
para a autoridade policial. Parece até filme. Mas é
real. Quem de nós ainda não assistiu essa cena?
A criminalidade precisa ser contida. Primeiro porque leva vidas
preciosas e patrimônios conquistados com muito suor. Segundo,
porque gera uma “bola-de-neve”, crescente pois, afeta
diretamente a economia e é fator gerador de desemprego.
Muitas empresas fecham suas portas por causa de prejuízos
decorrentes de assaltos. Noutros casos, fecham por causa do medo,
do perigo, dos “pedágios” cobrados pelos “donos
do pedaço”, e ausência de clientes que fogem
de locais inseguros. A alternativa que sobra é contratar
policiais de folga para fazer a segurança do estabelecimento.
Como assim? Contratar o mesmo profissional que tem a obrigação
de garantir a segurança em dia de serviço, para fazer
o mesmo trabalho no seu dia de folga, mediante contrato privado
de sua prestação de serviço? Isso nos faz duvidar
que ele esteja fazendo corretamente seu trabalho em dia de atividade
oficial. Ora, se o trabalho oficial estiver sendo prestado de forma
eficiente, para que ele precisará ser contratado em dia de
folga para prestar um serviço privado? Que outro caminho
existiria para ele ganhar um “extra”? Será que
existem coronéis por detrás das empresas privadas
de segurança? Melhor nem pensar nisso! Melhor nem comentar
que a prefeitura de São Paulo também está fomentando
este tipo de atividade comercial!
Sabedora de que não conseguirá alcançar sua
finalidade, a Polícia Militar investe em propaganda, se aproxima
do governo, faz “lob” para mudar a legislação
no sentido de que ela desdobre suas atribuições e
passe a fazer outras atividades, para se ocupar de outras tarefas
mais fáceis e que ainda estão ao seu alcance (ex.
elaboração do termo circunstanciado, fiscalização
de quem estaciona veículos de forma irregular). Talvez assim,
se ocupando com outras tarefas, tenha como justificar a deficiência
com o argumento de que lhe faltam efetivo e equipamentos.
Parte disso faz sentido, pois, se o trabalho estivesse a contento,
não haveria razões para constantemente angariar benefícios
junto aos governos. A desestrutura do sistema permite que a eterna
reclamação por aumento salarial, compra de mais equipamentos
e outros benefícios assistenciais para seus agentes se apresentem
como solução para o problema. Fica até fácil
imaginar a situação: O governo cobra mais eficiência
dos dirigentes, e eles reagem justificando que é necessário
maior investimento e valorização profissional.
Como se não bastasse, tem ainda o fato de travarem constante
luta para que as guardas municipais se abstenham de desempenhar
suas funções. Chegam ao ponto de impetrar ações
judiciais, representações no ministério público,
traçar diretrizes e tantos outros meios que encontram para
limitar a atuação de um efetivo bem treinado, armado
e competente lhes somar esforços no enfrentamento dos problemas
sociais, em especial, a violência.
Não há uma só formula para resolver este problema,
mas, talvez, se abandonassem as atividades paralelas (portaria de
fóruns e sedes do poder legislativo, segurança pessoal
de autoridades, fiscalização de trânsito, ambulantes
etc.) e canalizassem sua estrutura totalmente focada na segurança
pública, quem sabe haveria significativa melhora no serviço
a que se destina constitucionalmente a gloriosa e centenária
Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Já em relação às guardas municipais,
sinto informar que agora são elas quem não querem
mais fazer parte deste sistema falido de promover segurança
pública (ou insegurança). As guardas municipais (a
comecar pela de São Paulo) estão redefinindo seus
papéis, estão ganhando uma nova identidade, estão
voltadas para a promoção das políticas de posturas
públicas, dando garantias e segurança para que o poder
público municipal reorganize suas cidades, eliminado focos
geradores de violência e criminalidade, tornando a metrópole
mais digna de se viver.
Flávio
Lapa Claro
|
Veja
a situação de algumas delegacias na Paraíba |