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Rubens
Nóbrega - Segunda, 1 de Março de 2010
O Sermão do Alto do Mateus
Naquele
tempo, O Magum estava no Alto do Mateus e disse a seus discípulos:
- Olhai e vigiai! Companheiros e companheiras, anuncio-vos a boa
nova. Vamos conquistar o Templo!
Excitação geral. Logo o Templo, sonho de consumo de
todo político!?! Edvaldum perguntou:
- Será no pau, senhor?
- Que é isto, homem de pouca fé? - repreendeu O Magum.
- E como será, meu senhor? – quis saber o fidelíssimo
pupilo.
- Vamos ganhar no voto. É mais moderno. E eu sou moderno.
Eu sou o novo.
Alvoroço geral. Batingus ponderou:
- Mas, Senhor, Targinus quer ser candidato outra vez. Não
será melhor compor para senador e garantir o apoio para 14
d.C?
- Estou arrodeado de homens e mulheres sem fé! Targinus está
velho e ganancioso. Inventou que caparam o mandato dele e quer se
reeleger. Mas a vez agora é minha e o boi não lambe.
Nonatus entrou na conversa.
- Mas, ó Magum, dizem que, atravessando a ponte do Sanhauá,
o Mestre é um ilustre desconhecido. E o que vamos fazer para
conseguir votos no Sertão?
Disse então O Magum a Nonatus e aos demais fanáticos:
- Vamos nos unir às turmas do Herodes e do Caifás.
Manuelus pulou:
- Mas, senhor, não acreditamos! Aqueles que vós tanto
combatestes, que são a antítese de vossa ideologia.
Que praticam a política da década de 30 a.C?
- Na política, vale tudo. Só não vale dançar
homem com homem nem mulher com mulher. O resto vale. Para chegar
ao poder, vale até fazer pacto com Mefistófeles.
Fatja, suplente de discípula (naquele tempo, como hoje, a
mulher não tinha acesso ao poder), não conseguiu se
controlar. E como não tinha papa nem angu na língua,
despejou o verbo:
- Ô, Magum, para se eleger prefeito de Jerusalém em
4 d.C, vós fizestes um pacto que dizia ético: com
as turmas do Targinus e do Barrabás. Na eleição
de 6 d.C, fizestes corpo mole. Já preparavas então
este golpe?
- Os tempos mudaram, mulher! Cada eleição é
um novo caso. Quem, dentre vós, não concordais, que
pedis para evacuar e caís fora.
Disseram, então, em uníssono, Manuelus, Marcondum,
Batingus, Leonardum e Fatja:
- Estamos fora, Senhor!
E tomaram outro rumo.
O que se viu a seguir foi uma verdadeira diáspora. Dos discípulos
que ficaram, discretamente, pouco a pouco, a maioria abandonou o
partido, cada um rumando para a sua ideologia.
Só restou o núcleo duro.
E estava O Magum com o que sobrou dos seus messiânicos seguidores
quando entrou Lucianus, O Distraído, que saudou a todos:
- Paz e Amor, Bicho!
O Magum, então, rapidamente o corrigiu:
- Lucianus, os tempos mudaram, e a nossa saudação
também. A partir de agora será ‘Paz e bem, Bicho!’.
E ai daquele que errar!
Urquizum rápido levantou-se e explicou:
- Lucianus, é que O Magum agora tem um novo marqueteiro.
Lucianus perguntou, então:
- E quem é esse a quem chamais de marqueteiro, tão
cheio de idéias, que O Magum segue sem questionar?
Ele se chama Juju Descariotes.
Et fiat lux!
De quem
é
I Juca Pirama, ou I Jucaevos Piramus, é o autor da parábola
que acabais de ler.
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Veja
a situação de algumas delegacias na Paraíba |