| Fim
da República dos Delegados
A
polícia brasileira convive há bastante tempo com elevado
nível de insatisfação. O sentimento contagiante
de desmotivação é fruto da falta de humildade
e de democracia por parte dos delegados.
Os delegados
se transformaram em uma casta e criaram feudos nas polícias
federal e civil. Eles criaram o apartheid nas instituições
policiais, estimulando a prática da segregação.
O autoritarismo
dos delegados é tão visível, que os mesmos
se acham os únicos capazes, possuidores do conhecimento e
da competência, excluindo todos os demais policiais (agentes,
investigadores, escrivães, papiloscopistas, peritos) de todas
as decisões.
Instituíram
a “República dos Delegados”, modelo para solucionar
todos os problemas na área da segurança pública,
indicando e nomeando 17 (dezessete) secretários de segurança
pública em Estados brasileiros, mas não mudando em
nada os altos índices de violência nem melhorando a
segurança pública no país.
Os delegados
exercem um controle rígido sobre as estruturas policiais
e fazem o impossível para não compartilharem a gestão
institucional.
Quem
administra, comanda, chefia e participa de todas as decisões
nas polícias federal e civil, é uma pequena parcela
da categoria policial, que é minoria (os delegados), independente
da existência de outros policiais que possuam experiência,
qualificação e competência profissional.
A atual
estrutura de carreira nas polícias é ultrapassada,
injusta, contraditória e antidemocrática, permitindo
o ingresso quase no final da carreira e não no início,
impossibilitando assim, o desenvolvimento profissional (crescimento)
na carreira.
O corporativismo
exacerbado somado à mesquinhez e ao excesso de vaidade dos
delegados leva os mesmos a defenderem de forma irresponsável,
a proposta de emenda constitucional – PEC 549/06 -, que, se
aprovada no Congresso Nacional, criará uma carreira separada
dos demais policiais, só para os delegados, denominada “carreira
jurídica”.
A verdadeira
intenção dos delegados, ao criar esta “carreira
jurídica”, é terem seus salários iguais
aos salários dos membros do Poder Judiciário e do
Ministério Público, além de terem garantidas
as prerrogativas da vitaliciedade, inamovibilidade, foro privilegiado
e poderem expedir mandados de busca e apreensão. Um verdadeiro
Estado Policial, sob o comando da “República dos Delegados”,
um perigo para o Estado Democrático de Direito.
Os verdadeiros
policiais brasileiros, federais e civis, erguem a principal bandeira
de luta e convocam todos os segmentos da sociedade para discutir
um novo modelo para a segurança pública, uma nova
estrutura democrática e eficiente, que atenda concretamente
a população e diminua os altos índices de violência.
A luta
dos policiais civis e federais para transformar as instituições
policiais passa por uma Carreira Policial (ÚNICA), que seja
estruturada pelo Cargo Único, denominado Policial Federal
ou Estadual, dividido em três classes – Classe Inicial,
Classe Intermediária e Classe Especial (Final de Carreira).
- Que
o ingresso só seja permitido na base da carreira, possibilitando
o desenvolvimento profissional;
- Que
seja implementado o modelo de gestão compartilhada, tendo
a participação de outros policiais e não apenas
dos delegados no gerenciamento dos órgãos policiais.
- Que
nas funções de chefias (estratégicas e de comando)
observe os critérios da competência e da experiência,
possibilitando de forma democrática que qualquer integrante
da carreira possa ocupar estas funções e chefiar,
comandar e dirigir as instituições policiais e participar
da elaboração da política administrativa das
polícias;
- Que
os dirigentes das polícias sejam escolhidos a partir de uma
lista tríplice, formulada por toda a categoria, sendo esta
lista composta de nomes de qualquer integrante da carreira, posicionando
no último nível, para escolha pelo Ministério
da Justiça, sabatinado no Senado, para exercerem um mandato
de 02 (dois) anos podendo ser prorrogado por mais 02 (dois) anos
consecutivos, apenas uma vez;
- Que
a qualificação profissional dos policiais seja aprimorada,
através de cursos de capacitação e especialização,
realizados pelas academias de polícia em convênios
com as universidades;
- Que
os administradores das instituições policiais, sejam
capacitados através de cursos de especialização
em gestão pública.
Portanto,
esta famigerada PEC-549/06 não deve ser aprovada. Os Governadores
e as bancadas de Parlamentares (Deputados Federais e Senadores)
têm a responsabilidade de se posicionarem contrários
a esta PEC, que se aprovada, quebrará os cofres dos Estados
e irá desestruturar completamente a Segurança Pública
com a discórdia que se instalará nas Polícias
- Civil e Federal.
* Jorge
Venerando de Lima é Presidente do SINPOFAL – Sindicato
dos Policiais Federais no Estado de Alagoas.
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