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JORNAL
O NORTE
Policial
- Artigo - João Pessoa, Domingo,29 de março de 2009
Dificuldades
para a segurança
“A crise econômica empobrece os Estados e gera insegurança”
Pedro
Adelson
A mudança
dos costumes e o desrespeito aos valores éticos e morais,
no tempo atual, têm conduzido a sociedade a uma série
de desconfortos, especialmente para a segurança do cidadão.
A globalização
da economia, com a facilitação de créditos,
especialmente os consignados, têm levado as classes média
e média-baixa, ao endividamento exagerado. A classe pobre,
ou de baixa renda, especialmente os jovens, sem conseguir emprego
e ao lado do consumismo e da imitação, tem fácil
destino no serviço do tráfico de drogas, cada dia
mais atraente. Daí o número elevado de jovens, na
faixa etária de 16 a 24 anos de idade, envolvidos na criminalidade
e entrando na estatística da mortalidade. A constatação
tem sido bem registrada no nosso país, embora seja um problema
mundial. No Brasil o fenomeno só não ocorre nos Estados
mais ricos e populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas
Gerais, por exemplo, onde morre mais gente vítima da violência
urbana do que em muitas guerras entre países.
E o cidadão
está atônito, no meio do fogo cruzado entre bandidos
e entre estes e as forças de segurança dos Estados.
No Pará, Estado que difere dos citados pela localização,
densidade populacional e situação financeira, morre
uma pessoa atingida por arma de fogo a cada oito horas, ou seja:
três por dia! A insegurança está em toda parte,
não somente nas favelas ou nas ruas, mas até nos melhores
condomínios de luxo, com sofisticados sistemas eletrônicos
de segurança, ao lado de guardas armados e treinados, que
não têm escapado da "competência" do
crime organizado, que realiza sensacionais e inusitadas operações
de furto e de roubo.
Bancos,
empresas, lojas comerciais, fazendas e mansões também
sofrem invasões e pilhagens por parte de organizadas e especializadas
facções criminosas. Mas essas ocorrências não
são registradas apenas no Brasil. O nosso Portugal, pátria-mãe,
está às voltas com os constantes assaltos às
ourivesarias (joalherias) e a outras sofisticadas lojas comerciais,
no centro das maiores cidades, até com mortes. Têm
acontecido até dois assaltos por dia.
O povo,
aqui como lá, exige mais polícia nas ruas. Ocorre
que a polícia, para ser eficaz, precisa de efetivo suficiente,
usar inteligência e tecnologia adequadas, o que torna o serviço
bastante caro, elevando os gastos públicos que precisam ser
contidos em face da conjuntura financeira mundial.
Assim,
está o cidadão à mercê da sua própria
sorte, assistindo a falência do atual sistema de segurança,
enquanto não aconteça a mudança de costumes
e de valores éticos, resultante de novas e eficazes políticas
públicas.
Pedro
Adelson, secretário da Cidadania e Administração
Penitenciária
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