
Colunistas
- Sexta, 5 de Setembro de 2008
MP X Real
Rubens Nobrega
Pense que boa notícia!
Segundo o Portal Correio, o Ministério Público Estadual
está investigando a cobrança de taxas supostamente
irregulares, pelo Banco Real, nas contas-salário de servidores
do Estado.
A questão rendeu-me mês passado pelo menos três
colunas. Trouxe o protesto de funcionários inconformados
em pagar até R$ 19 pela manutenção das contas
que foram obrigados a abrir naquele banco, por obra e graça
do governo estadual.
O Real comprou a folha do Estado por ninharia (cerca de R$ 73
milhões, conforme dados oficiais), um negócio em
tudo semelhante às tenebrosas transações
de que nos fala e canta Chico Buarque no clássico “Vai
passar”.
Segundo cálculos de colaboradores da coluna, só
com o apurado das taxas que cobra dos funcionários o Real
cobre um investimento que, além de tudo, teve parcelado
o pagamento da maior parte (R$ 40 milhões).
Apesar de holandês e recentemente vendido ao espanhol Santander,
tudo leva a crer que o Real fechou com o Estado sob Cássio
Cunha Lima (PSDB) um verdadeiro negócio da China que é,
ao mesmo tempo, presente de grego para o funcionalismo.
Jargões e mitologia barata à parte, o fato é
que o Real fatura alto no Estado desde os famosos empréstimos
em consignação para funcionário receber salário
e 13º, uma das grandes realizações dos quatro
primeiros anos do atual governo.
Por essa e outras digo sempre que se os donos do Real fossem minimamente
gratos mandariam colocar uma estátua ou busto do governador
da Paraíba em cada agência, além de botar
o homem de sócio.
De qualquer forma e sorte, vejo com satisfação que
as denúncias contra o Real têm chance de ser apuradas.
Melhor ainda: o caso foi parar nas mãos e competência
dos promotores Valberto Lira (Cidadão) e Demétrius
Castor (Consumidor).
Descontos
ilegais
Qualificada fonte
da coluna está convencida de que os descontos praticados
pelo Real em desfavor dos funcionários são completamente
indevidos, ilegais, imorais. Daí por que sugere ação
judicial na qual o consumidor pediria a devolução
das taxas.
A mesma fonte quer incentivar o Ministério Público
a mover essa ação com o propósito de ressarcir
os servidores pretensamente tungados pelo Real. De quebra, propõe
que a bancada de oposição na Assembléia assuma
essa bandeira.
Enquanto isso, acertada e oportunamente o promotor Valberto Lira
articula audiências públicas para ouvir as partes
envolvidas e daí tirar conclusões que possam lhe
subsidiar possível representação contra o
banco.
Doutor Valberto já antecipou que uma resolução
do Banco Central impede os bancos cobrarem quaisquer taxas sobre
conta-salário. Mas, aí, o banco usa de um ardil
para ganhar mais dinheiro do que já ganham em cima dos
pobres servidores.
Funcionaria assim: o banco remete aos correntistas cartão
de crédito e coloca nas contas valores correspondentes
à concessão de cheques especiais. Aí a conta-salário
vira conta-corrente, abrindo a porteira para a cobrança
das famigeradas taxas.
Por conta disso, o promotor abriu procedimento administrativo
para o caso Real X Servidores, iniciativa que precede a instauração
de inquérito civil. Confirmada a procedência das
acusações, ele ajuíza a ação
devida contra o banco.