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Opinião
por: Marcus Aranha
Domingo,
9 de Março de 2008
Solução farmacêutica
A insatisfação
da população brasileira gira em torno de Educação,
Saúde e Segurança. Desta última, há
cidades como Rio, São Paulo, Vitória e Recife, onde
a situação se assemelha a do Iraque.
Mas, na Paraíba, esse negócio de Segurança
também vem se complicando. Relembremos as manchetes nos jornais
de 11 de fevereiro a 7 de março deste ano:
“Agrônomo é morto por dois adolescentes”;
“Casas lotéricas: alvo fácil e festa para bandidos”;
“A violência está fugindo do controle: mais de
50 assaltos a ônibus e 16 roubos a lotéricas”;
“Bandidos assaltam mais uma agência do Multibank”;
“Homem é morto com 10 tiros no meio da tarde, no mercado
central”; “Bandidos assaltam lotérica e Multibank”;
“23 jovens são mortos por mês na Paraíba”;
“Tentativa de assalto termina em tiroteio no terminal”;
“Quatro jovens são mortos em JP”; “Assaltantes
fazem arrastão em dois ônibus”; “Advogada
fica refém por 4 horas”; “2 advogadas e empresária
seqüestradas”; “Três seqüestros em menos
de 24 horas”; “Flanelinha é queimado enquanto
dormia”; “Violência urbana: assaltos e tiroteios
na rua”; “Mais 3 lotéricas e um Multibank são
assaltados”; “Bandido faz uma família refém
e pega outra como escudo na fuga”.
Taí... Em 26 dias tais coisas aconteceram somente em João
Pessoa.
Homicídios, só-Deus-sabe-porque, ocupam o ápice
das estatísticas. Ex-presidiários e apenados albergados
são objetos prioritários dos motoqueiros-matadores;
também só-Deus-sabe-porque... Nas favelas, adolescentes
e adultos jovens, aparecem mortos a tiros, sempre com a explicação
policial que eram ligados ao tráfico de drogas.
E o cidadão comum vem sofrendo os efeitos dessa criminalidade
incontida. Em estacionamentos de centros comerciais, de pequenos
ou grandes shoppings, as mulheres (mais indefesas) tem tido bolsa,
celular, jóias e até bijuterias, arrebatados violentamente,
sob a ameaça de revólveres em mãos de menores
delinqüentes. E esses menores chegam a matar, como no caso
do agrônomo que saia do Shopping Manaíra, onde havia
feito um saque bancário.
E o resto do Estado? No Interior, há roubos de cargas, de
automóveis; as agências dos Correios são alvos
contumazes dos assaltantes. Em agencias bancárias interioranas
pouco importa ter cofre forte com abertura automática somente
em hora determinada. Os assaltantes chegam na hora certa e levam
tudo que há lá dentro.
A reação das autoridades policiais, às vezes
è de causar-ns espanto. Já houve uma delas que afirmou
não ter nada a ver com a Segurança Pública,
os assaltos nas casas lotéricas. Uma graça...
Aí a imprensa publica denúncias de Delegacias sem
delegado, sem policiais em número suficiente, sem viatura,
ou com a dita cuja no pátio sem gasolina. Outra graça...
O Secretário de Estado da Segurança Pública,
em uma entrevista, chegou a chamar seus policiais de cagões.
E o Governador do Estado mudou o comando da Polícia Militar,
que passa a ser de linha dura, para endurecer as ações
dos policiais militares. Fiquei com a impressão que a solução
do combate à nossa criminalidade é farmacêutica.
Para a Polícia Civil o Governo compra caixas e caixas de
Imosec, um anti-diarréico potente, resolvendo a questão
dos cagões apontados pelo Secretário; o que é
justo, pois não há como enfrentar assaltantes passando
a maior parte do expediente sentado numa bacia sanitária.
E para endurecer a Policia Militar pode o Governo adquirir embalagens
gigantes de Viagra. Assim feito, imagine o que vai ter de PM endurecendo.
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