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A6 – Paraíba * Sábado, 23 de fevereiro de 2008
Informe
– Josival Pereira
Violência
e Culpa
Parece
um tanto surrealista a discussão sobre a violência
em João Pessoa e na Paraíba.
Em reação a críticas, o secretário de
Segurança do Estado, Eitel Santiago, propõe que o
culpado pelos assaltos a casas lotéricas é o prefeito
Ricardo Coutinho por não fazer valer a lei aprovada na Câmara
que obriga aqueles estabelecimentos a contratarem segurança
privada, como fazem os bancos.
Noutra área, o secretário também teria sugerido
que a polícia Rodoviária é culpada pela entrada
das drogas do Estado, já que não exerceria devida
fiscalização nas rodovias.
Do outro lado, oposicionistas e cada vez mais cidadãos vítimas
da violência desenfreada culpam o Governo pelo quase generalizado
clima de insegurança na Paraíba.
Num tira-teima, o secretário perderia a disputa. Constitucionalmente,
é competência dos Estados, enquanto entes federados,
organizar as polícias militar e civil para garantir segurança
aos cidadãos e manter a ordem pública.
Apesar disso, não se pode por toda culpa no Estado pela violência.
Há problemas nacionais, estruturais e sociais, que estão
na base do drama da insegurança e que perpassam e estão
além da capacidade de um único Estado.
Mas o Governo da Paraíba não pode transferir responsabilidade
nem fazer de conta que está tudo em ordem. As manchetes da
imprensa te revelam que a polícia prendeu vários bandidos
nos últimos dias. Mas revelam também que a atuação
dos bandidos é muito mais vigorosa do que a ação
policial. O resultado é a sensação geral de
insegurança.
O Secretário Eitel Santiago é um procurador da República,
um homem preparado e bem intencionado. Talvez fosse mais prudente,
neste momento, se debruçar sobre por que os bandidos de outros
Estados estão invadindo a Paraíba e o repentino destemor
dos criminosos locais.
Entendidos em segurança costumas dizer que os criminosos
não são burros e que geralmente buscam agir onde a
segurança se mostra fraca. Algo como aquela velha história
dos ratos do navio em naufrágio. Parece que há festa
nos portões da Paraíba.
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