15/0/2006 - Caos Zero!


    Os cidadãos honestos e trabalhadores precisam lutar contra toda a sorte de tentações e ameaças. Tentam sobreviver à fúria arrecadadora dos governos – propositalmente desorganizados -, aos interesses das corporações e à força bruta do poder paralelo do crime organizado.
   
    Seqüestros relâmpagos, atentados, assaltos, estupros, assassinatos, aumentos de impostos e tarifas públicas, juros altos, competitividade insana, mercados “fabricados”... Tudo se mistura numa sensação crescente de que ser idôneo é aceitar ser lesado e violentado, resignadamente; enquanto ser marginal, de qualquer nível social, é sentir-se livre e seguro para praticar seus crimes, mesmo quando recolhido ao sistema prisional.
   
    A morosidade, a burocracia, a conivência e a incompetência dos responsáveis pela manutenção da lei e da ordem estão abrindo espaço para que o crime organizado se espalhe, intimide e domine com a velocidade de um cancro, perante os olhos atônitos e impotentes da sociedade, progressivamente sitiada, desprotegida e privada de seus direitos civis mais elementares. Os criminosos – das mãos sujas ao colarinho branco – dispõem da melhor assessoria jurídica, das melhores armas, de esquemas que envolvem corrupção institucional, de um serviço de “inteligência” eficiente e da proteção de órgãos de defesa de direitos humanos, que os tratam como vítimas; enquanto as vítimas de fato, e suas famílias, muitas vezes minguam, de desencanto e, até, fome: sem qualquer tipo de assistência, sem uma voz que seja ouvida e sem direito de resposta!
   
    As autoridades parecem assistir, passivamente, ao que em alguns casos já assumiu os contornos de uma verdadeira guerra civil urbana, onde valores éticos, morais e religiosos estão sendo progressivamente substituídos pelo desejo ilimitado e impune por: poder, dinheiro e prazer.
   
    O resultado dessa “política” já pôde ser constatado no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e, agora, também pode ser visto, dramaticamente, em São Paulo, onde atentados violentos e covardes mataram dezenas de policiais, inclusive de áreas que nada têm a ver com o combate direto ao crime, como foi o caso do assassinato de um bombeiro. Com isso, os organismos de repressão, que já se sentiam reprimidos, desmotivados e mal-equipados, agora estão, também, amedrontados e, ao mesmo tempo, justamente revoltados!
   
    A sociedade precisa se mobilizar firmemente, cobrando objetividade e presteza das autoridades - em todos os níveis - no cumprimento de sua função constitucional de assegurar a lei e a ordem! Senão, de repente, algum “iluminado” poderá sugerir, como última alternativa a um caos maior, a adoção de medidas de exceção que, sob o pretexto de propiciar amplos poderes executivos para o combate à corrupção e à criminalidade, municiarão seus responsáveis com o controle absoluto do sistema, com todos os já conhecidos - e não menos temíveis – riscos à sociedade

Adilson Luiz Gonçalves
Publicado em 15.05.2006

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